domingo, 6 de março de 2011

Um dia...


"Algum desgosto prova muito amor, mas muito desgosto revela demasiada falta de espírito."  Shakespeare
Um dia, levo-te comigo para sempre. Fujo de tudo e de todos, agarro-te da forma mais profunda e nunca mais te largo. Nesse dia, ganharei coragem para te dizer tudo o que sinto por ti, sem qualquer dúvida ou receio. Esperarei pelo momento certo e, olhos nos olhos, dir-te-ei que te quero, que te adoro, que te amo, que anseio por tocar em teus lábios… Que és tu por quem suspiro.

Um dia, dir-me-ás que sentes o mesmo que eu. Sem hesitações ou vergonha, vais agarrar-me e dizer que me queres. Retribuirei o aperto e aí seremos donos do mundo, um mundo nosso de onde ninguém nos tirará. Iremos embalar-nos no mais belo sonho. Seremos duas almas com um desejo só: amar. Depois, um beijo irá avivar a chama que nem com a chuva se apagará.
Um dia, saberemos que o único objectivo do nosso amor é a felicidade. Veremos que para trás estão momentos lindos, mas que o presente nos oferece ainda melhores. E pensaremos no futuro? Não, de certo. Isso pouco importará.
Um dia, não te interessará o sempre e sim o presente. Só o meu medo falará mais alto por não te querer perder. Por achar que o nosso amor irá morrer. Tu provar-me-ás o contrário. Sentir-
-me-ei mal, mas tu irás levantar-me. Tentarei fugir do que sinto, mas tu irás apanhar-me. Morrerei e aí tudo terminará. Nada poderás fazer. A culpa será minha. Não, uma morte interior não tem solução. Nesse dia, tudo acabará entre nós.
Um dia, perceberei que sou um pobre ser sem qualquer dom para amar. Derramarei lágrimas por te ter perdido, na ânsia de voltares. O meu desejo não se concretizará e serás feliz, como mereces. Serei eterna prisioneira da culpa, prisioneira do medo que se apoderou de meu corpo. Aprenderei, só aí, que as melhores oportunidades são aquelas que deixamos fugir…
Um dia, apunhalarei o meu peito e direi bem alto que me odeio. Todos terão pena de mim, menos tu. Bem baixo, lá no fundo, ouvirei a tua doce voz dizer-me: “Amo-te”. Tentarei subir de novo à tua vida, mas a força não mo possibilitará. 
Um dia, chegarei à conclusão de que a vida só toma o rumo que lhe damos. Tive tudo e tudo deixei. Se o Homem tem poderes, um deles é o de acreditar. Aperceber-me-ei que não fui Homem, não fui nada. Fui uma simples alma por mim própria abandonada.

6 comentários:

  1. Não é ser má, não mesmo.
    Se são umas cabras para mim - sem razão - porque não hei-de ficar feliz quando têm o que merecem? Aliás, é cagar..

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  2. YEY! para grande cabra, cabrito e meio xD

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  3. Gostei imenso, Rafaela está d+!

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  4. Eu era mesmo má (lá em cima). Bolas! :D

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  5. Adorei o texto. Parabéns pelo teu texto fantástico! (: Sinto o mesmo.
    Beijocas

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